Tristes encontravam-se alguns,
outros ficavam radiantes.
Uns subiam as escadas,
para a tal cidade de Deus.
Outros desciam-nas, para cá ficarem,
conforme outrora o fez o menino.
Um solstício bem amargo esse.
Nem a neve melancólica caiava as ruas,
nem o frio ardente gelava,
nem a família disjunta unia,
nem a lareira me aquecia.
É isto que sois, Natal?
Dias lerdos e cansados
que nos travam os sorrisos?
Assim vos escrevo,
assim vos aviso,
para que componhais este Dezembro
com menos improviso.
Maia, 14 de Dezembro de 2009
António Seia
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Leitura d'outrora
Eu era apenas mais um livro,
na companhia de páginas numeradas,
que contavam histórias verosímeis.
Um livro jovem,
pois quando desfolhado,
ainda cheirava a novo,
gritando a inacabado,
e muito pálido por dentro.
Redijo-me objectivamente,
logo, só eu narro o que lês,
e passa-se num lugar algures ai,
desse lado da janela,
onde avistando o céu estrelado imenso
como letras a desaguar
como um rio sem nascente nem foz,
me afogava no escuro da negridão.
Uma busca insaciável de uma margem
onde me pudesse apoiar,
e de um cais onde aportar.
Mas,
cada capitulo é uma era distinta,
porque o que era já fui,
(e gosto de pensar que foi
uma fase efémera),
o que fui já não sou,
e o que sou ainda está por imprimir.
Lisboa, 6 de Janeiro de 2010
António Seia
na companhia de páginas numeradas,
que contavam histórias verosímeis.
Um livro jovem,
pois quando desfolhado,
ainda cheirava a novo,
gritando a inacabado,
e muito pálido por dentro.
Redijo-me objectivamente,
logo, só eu narro o que lês,
e passa-se num lugar algures ai,
desse lado da janela,
onde avistando o céu estrelado imenso
como letras a desaguar
como um rio sem nascente nem foz,
me afogava no escuro da negridão.
Uma busca insaciável de uma margem
onde me pudesse apoiar,
e de um cais onde aportar.
Mas,
cada capitulo é uma era distinta,
porque o que era já fui,
(e gosto de pensar que foi
uma fase efémera),
o que fui já não sou,
e o que sou ainda está por imprimir.
Lisboa, 6 de Janeiro de 2010
António Seia
sábado, 5 de junho de 2010
O Gato e a Gaivota
para a minha mãe
Alacridades que tremeluzem,
mágoas que marcam,
queixumes supérfluos,
cóleras sobejas,
lá estás, estiveste, estarás…
Primeira fila perpetuamente,
enxergando o concerto
como quem fita o horizonte de perto.
Larguemos agora o olhar, já é hora,
todavia, não abatamos essa corrente oculta
que corre e nos ata
daquilo a que dão o nome de amor,
mas muito menos trivial,
muito mais nosso.
Não abatamos o insofismável para os outros,
composto de melodias sincopadas,
que só nós ouvimos verdadeiramente.
Se não houvesses Tu
não existia Eu,
e o Nós era quebrado.
Maia, 2 de Junho de 2010
André Cerqueira
Alacridades que tremeluzem,
mágoas que marcam,
queixumes supérfluos,
cóleras sobejas,
lá estás, estiveste, estarás…
Primeira fila perpetuamente,
enxergando o concerto
como quem fita o horizonte de perto.
Larguemos agora o olhar, já é hora,
todavia, não abatamos essa corrente oculta
que corre e nos ata
daquilo a que dão o nome de amor,
mas muito menos trivial,
muito mais nosso.
Não abatamos o insofismável para os outros,
composto de melodias sincopadas,
que só nós ouvimos verdadeiramente.
Se não houvesses Tu
não existia Eu,
e o Nós era quebrado.
Maia, 2 de Junho de 2010
André Cerqueira
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
"1km de cada vez"

"É essa a matriz fundamental deste livro: a alegria da viagem preguiçosa. Um olhar pelo mundo em slow motion - mais do que um olhar que viaja devagar, uma reflexão que viaja parada. Uma espécie de maturidade dos passos, que têm tempo para perder tempo com os lugares, as situações, os encontros e reencontros que o mereçam. Que têm tempo para ler livros nos territórios onde eles foram escritos ou ambientados. Que têm tempo para honrar culturas e idiomas distantes e desconhecidos. E prestar uma vassalagem serena e profunda aos pormenores geralmente invisíveis ou desprezados do acto de viajar."
"As melhores coisas do Mundo são gratuitas"
"Para o viajante preguiçoso o contrario de viajar não é ficar em casa, mas sentir-se em casa. O viajante preguiçoso e aquele que não tem pressa de mudar de sitio....um turista apenas procura, um viajante deixa-se perder."
"O sedentário esta perdido porque tem um destino a encontrar que não encontra. O nómada não procura, encontra-se no próprio acto de viajar."
"Não é verdade que o planeta seja redondo. É armilar. Anda-se às voltas e nunca se regressa ao mesmo sítio. A estrada, sim, passa por lá; mas o tempo também passa, e leva de nós o que fomos antes. Falta-nos o mesmo momento para podermos regressar ao mesmo sítio. Regressamos já outros, e compreendemos que o sítio já não é o mesmo."
"O que conta na vida não é a duração, é a sua intensidade."
"Dou mais valor a um minuto que a um cêntimo."
Um livro que ensina a ser um viajante, ou pelo menos, mostra a perspectiva de um. As suas experiências, encontros, desencontros, lugares, musicas...
Paginas que nos transmitem como pertencer a uma viagem, e não apenas, chegar, chegar e "turisticar".
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
N.R.P. Sagres - 3ª circum-navegação
Bons ventos e marés vos acompanhem na 3ª viagem de circum-navegação da Sagres, a vós que seguram o leme da barca á vela mais bela deste mundo e dos outros. Votos de uma belíssima viagem a toda a guarnição e ao cmdt. Pedro Proença Mendes.
Viva a Sagres, e que ela navegue por muitas mais décadas...
Viva a Sagres, e que ela navegue por muitas mais décadas...
domingo, 15 de novembro de 2009
Não tenho filosofia: tenho sentidos - Alberto Caeiro
“Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é.
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem por que ama, nem o que é amar...”
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é.
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem por que ama, nem o que é amar...”
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Português que era, é e vai no caminho de ser outra vez
Algo sobre o qual não costumo escrever, mas que numa analise de alguns textos dados na disciplina de português me puseram a pensar e a escrever claro:
O povo “tuga” é ignorante e burro, mesquinho, miserável, apático, hipócrita e muitos mais defeitos. São eleições ditadas por votos não em pessoas ou partidos mas quase como se fossem equipas de futebol, não há caras nem ideais, só cores (bem, mas sempre é melhor qualquer voto que chegue a entrar na urna do que aqueles que ficam em casa no sofá a torcer por qualquer coisa que seja mas deixaram o voto no pensamento ou se calhar nem pensaram nele); é o país que continua preso a ideias retrógradas e forças conservadoras para quem a mudança é pior que tudo; e são Eles (os que mandam) que se escondem sempre na democracia, na legitimidade do "fomos eleitos pelo povo, por isso queremos, podemos e fazemos".
O 25 de Abril deveria ter acordado a hibernação eterna do antigo português apático em relação a tudo, deveria ter mexido profundamente na rede social do nosso país, mas em vez de pensar na geração dos nossos pais e na nossa claramente, porque acabam por se inter-relacionar, o 25 de Abril pensou nele próprio e em como poderia chegar ao poder que sempre lhe faltou.
O principal problema do nosso país é a ausência de cidadania e civismo, de desejo de liberdade não excessiva, do gosto de agir e pensar por si próprio. A pirâmide laboral do país tem uma base de gente que só executa e obedece a ordens e quem manda nesses por sua vez obedece a ordens de outros e assim por diante, até chegarmos ao topo da pirâmide. Podemos mexer o que quisermos no topo da pirâmide que tudo o resto se mantém inalterável. O português só executa, não pensa pois não interessa quem manda.
Esta é uma doença que corre muito, e é muito funda. Não interessam golpes de estado, cores políticas, desejos de liberdade ou bens nacionais ou públicos! Ao português dão-lhe futebol com porrada entre claques, tremoços salgadinhos, cerveja fresquinha e telenovelas com açúcar e ele aceita com felicidade e cala-se!
Não sei como a nossa geração tratará o país (ou o que resta dele), não sei até se não cometerá piores erros para a geração seguinte, mas acredito que apesar da doença ser funda e correr há muito, muito tempo em nós, como se vê no Ultimatum Futurista que tem aproximadamente 100 anos mas no qual se lê as mesmas preocupações dos dias de hoje, o nosso povo tem a capacidade de se levantar e de se curar.
O povo “tuga” é ignorante e burro, mesquinho, miserável, apático, hipócrita e muitos mais defeitos. São eleições ditadas por votos não em pessoas ou partidos mas quase como se fossem equipas de futebol, não há caras nem ideais, só cores (bem, mas sempre é melhor qualquer voto que chegue a entrar na urna do que aqueles que ficam em casa no sofá a torcer por qualquer coisa que seja mas deixaram o voto no pensamento ou se calhar nem pensaram nele); é o país que continua preso a ideias retrógradas e forças conservadoras para quem a mudança é pior que tudo; e são Eles (os que mandam) que se escondem sempre na democracia, na legitimidade do "fomos eleitos pelo povo, por isso queremos, podemos e fazemos".
O 25 de Abril deveria ter acordado a hibernação eterna do antigo português apático em relação a tudo, deveria ter mexido profundamente na rede social do nosso país, mas em vez de pensar na geração dos nossos pais e na nossa claramente, porque acabam por se inter-relacionar, o 25 de Abril pensou nele próprio e em como poderia chegar ao poder que sempre lhe faltou.
O principal problema do nosso país é a ausência de cidadania e civismo, de desejo de liberdade não excessiva, do gosto de agir e pensar por si próprio. A pirâmide laboral do país tem uma base de gente que só executa e obedece a ordens e quem manda nesses por sua vez obedece a ordens de outros e assim por diante, até chegarmos ao topo da pirâmide. Podemos mexer o que quisermos no topo da pirâmide que tudo o resto se mantém inalterável. O português só executa, não pensa pois não interessa quem manda.
Esta é uma doença que corre muito, e é muito funda. Não interessam golpes de estado, cores políticas, desejos de liberdade ou bens nacionais ou públicos! Ao português dão-lhe futebol com porrada entre claques, tremoços salgadinhos, cerveja fresquinha e telenovelas com açúcar e ele aceita com felicidade e cala-se!
Não sei como a nossa geração tratará o país (ou o que resta dele), não sei até se não cometerá piores erros para a geração seguinte, mas acredito que apesar da doença ser funda e correr há muito, muito tempo em nós, como se vê no Ultimatum Futurista que tem aproximadamente 100 anos mas no qual se lê as mesmas preocupações dos dias de hoje, o nosso povo tem a capacidade de se levantar e de se curar.
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