Despido das suas velas,
icei-as,
parti no barco dos sonhos.
Navegava eu para o meu destino,
apenas numa gota de oceano,
mas era tão além e moroso...
Naveguei então noutro rumo,
e ali,
ali nada era como um breve sopro,
que se extingue no ar...
Ali,
a enigmática noite aparecia,
e trazia todas as pétalas das estrelas,
as quais eu colhia,
e ao lado,
uma imensa esfera colorida de branco,
que me sussurrou em tinta indelével
os versos de um poema,
onde tudo eram marés favoráveis e certas,
algo quimérico e cantado conforme o Fado,
mas ainda tão pouco imaginado...
E por isso,
falei ao céu:
Não consigo aportar o meu sonho...
E o sábio respondeu-me:
Em qualquer viagem,
o essencial é o percurso que tomamos,
pois é ele que nos compõe a memória.
O destino final,
é apenas mais um marco na história.
Maia, 8 de Julho de 2009
António Seia
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Solstício d’Inverno
Tristes encontravam-se alguns,
outros ficavam radiantes.
Uns subiam as escadas,
para a tal cidade de Deus.
Outros desciam-nas, para cá ficarem,
conforme outrora o fez o menino.
Um solstício bem amargo esse.
Nem a neve melancólica caiava as ruas,
nem o frio ardente gelava,
nem a família disjunta unia,
nem a lareira me aquecia.
É isto que sois, Natal?
Dias lerdos e cansados
que nos travam os sorrisos?
Assim vos escrevo,
assim vos aviso,
para que componhais este Dezembro
com menos improviso.
Maia, 14 de Dezembro de 2009
António Seia
outros ficavam radiantes.
Uns subiam as escadas,
para a tal cidade de Deus.
Outros desciam-nas, para cá ficarem,
conforme outrora o fez o menino.
Um solstício bem amargo esse.
Nem a neve melancólica caiava as ruas,
nem o frio ardente gelava,
nem a família disjunta unia,
nem a lareira me aquecia.
É isto que sois, Natal?
Dias lerdos e cansados
que nos travam os sorrisos?
Assim vos escrevo,
assim vos aviso,
para que componhais este Dezembro
com menos improviso.
Maia, 14 de Dezembro de 2009
António Seia
Leitura d'outrora
Eu era apenas mais um livro,
na companhia de páginas numeradas,
que contavam histórias verosímeis.
Um livro jovem,
pois quando desfolhado,
ainda cheirava a novo,
gritando a inacabado,
e muito pálido por dentro.
Redijo-me objectivamente,
logo, só eu narro o que lês,
e passa-se num lugar algures ai,
desse lado da janela,
onde avistando o céu estrelado imenso
como letras a desaguar
como um rio sem nascente nem foz,
me afogava no escuro da negridão.
Uma busca insaciável de uma margem
onde me pudesse apoiar,
e de um cais onde aportar.
Mas,
cada capitulo é uma era distinta,
porque o que era já fui,
(e gosto de pensar que foi
uma fase efémera),
o que fui já não sou,
e o que sou ainda está por imprimir.
Lisboa, 6 de Janeiro de 2010
António Seia
na companhia de páginas numeradas,
que contavam histórias verosímeis.
Um livro jovem,
pois quando desfolhado,
ainda cheirava a novo,
gritando a inacabado,
e muito pálido por dentro.
Redijo-me objectivamente,
logo, só eu narro o que lês,
e passa-se num lugar algures ai,
desse lado da janela,
onde avistando o céu estrelado imenso
como letras a desaguar
como um rio sem nascente nem foz,
me afogava no escuro da negridão.
Uma busca insaciável de uma margem
onde me pudesse apoiar,
e de um cais onde aportar.
Mas,
cada capitulo é uma era distinta,
porque o que era já fui,
(e gosto de pensar que foi
uma fase efémera),
o que fui já não sou,
e o que sou ainda está por imprimir.
Lisboa, 6 de Janeiro de 2010
António Seia
sábado, 5 de junho de 2010
O Gato e a Gaivota
para a minha mãe
Alacridades que tremeluzem,
mágoas que marcam,
queixumes supérfluos,
cóleras sobejas,
lá estás, estiveste, estarás…
Primeira fila perpetuamente,
enxergando o concerto
como quem fita o horizonte de perto.
Larguemos agora o olhar, já é hora,
todavia, não abatamos essa corrente oculta
que corre e nos ata
daquilo a que dão o nome de amor,
mas muito menos trivial,
muito mais nosso.
Não abatamos o insofismável para os outros,
composto de melodias sincopadas,
que só nós ouvimos verdadeiramente.
Se não houvesses Tu
não existia Eu,
e o Nós era quebrado.
Maia, 2 de Junho de 2010
André Cerqueira
Alacridades que tremeluzem,
mágoas que marcam,
queixumes supérfluos,
cóleras sobejas,
lá estás, estiveste, estarás…
Primeira fila perpetuamente,
enxergando o concerto
como quem fita o horizonte de perto.
Larguemos agora o olhar, já é hora,
todavia, não abatamos essa corrente oculta
que corre e nos ata
daquilo a que dão o nome de amor,
mas muito menos trivial,
muito mais nosso.
Não abatamos o insofismável para os outros,
composto de melodias sincopadas,
que só nós ouvimos verdadeiramente.
Se não houvesses Tu
não existia Eu,
e o Nós era quebrado.
Maia, 2 de Junho de 2010
André Cerqueira
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
"1km de cada vez"

"É essa a matriz fundamental deste livro: a alegria da viagem preguiçosa. Um olhar pelo mundo em slow motion - mais do que um olhar que viaja devagar, uma reflexão que viaja parada. Uma espécie de maturidade dos passos, que têm tempo para perder tempo com os lugares, as situações, os encontros e reencontros que o mereçam. Que têm tempo para ler livros nos territórios onde eles foram escritos ou ambientados. Que têm tempo para honrar culturas e idiomas distantes e desconhecidos. E prestar uma vassalagem serena e profunda aos pormenores geralmente invisíveis ou desprezados do acto de viajar."
"As melhores coisas do Mundo são gratuitas"
"Para o viajante preguiçoso o contrario de viajar não é ficar em casa, mas sentir-se em casa. O viajante preguiçoso e aquele que não tem pressa de mudar de sitio....um turista apenas procura, um viajante deixa-se perder."
"O sedentário esta perdido porque tem um destino a encontrar que não encontra. O nómada não procura, encontra-se no próprio acto de viajar."
"Não é verdade que o planeta seja redondo. É armilar. Anda-se às voltas e nunca se regressa ao mesmo sítio. A estrada, sim, passa por lá; mas o tempo também passa, e leva de nós o que fomos antes. Falta-nos o mesmo momento para podermos regressar ao mesmo sítio. Regressamos já outros, e compreendemos que o sítio já não é o mesmo."
"O que conta na vida não é a duração, é a sua intensidade."
"Dou mais valor a um minuto que a um cêntimo."
Um livro que ensina a ser um viajante, ou pelo menos, mostra a perspectiva de um. As suas experiências, encontros, desencontros, lugares, musicas...
Paginas que nos transmitem como pertencer a uma viagem, e não apenas, chegar, chegar e "turisticar".
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
N.R.P. Sagres - 3ª circum-navegação
Bons ventos e marés vos acompanhem na 3ª viagem de circum-navegação da Sagres, a vós que seguram o leme da barca á vela mais bela deste mundo e dos outros. Votos de uma belíssima viagem a toda a guarnição e ao cmdt. Pedro Proença Mendes.
Viva a Sagres, e que ela navegue por muitas mais décadas...
Viva a Sagres, e que ela navegue por muitas mais décadas...
domingo, 15 de novembro de 2009
Não tenho filosofia: tenho sentidos - Alberto Caeiro
“Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é.
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem por que ama, nem o que é amar...”
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é.
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem por que ama, nem o que é amar...”
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